sábado, 3 de julho de 2010

2 de julho

Texto: Blog do meu Baba/Pai. Valeu nêgo!

"A data importante para a Bahia. A data importante para mim.
Neste dia nascia uma grande companheira. Neste dia nascia Janaína Mesquita.
O texto adaptado a seguir sobre o “2 de Julho” dos baianos fui encontrar em: http://ibahia.globo.com/especiais/2dejulho/o2dejulho.asp "

Leiam. Como é importante este dia para a história deste país. Por isto a Bahia é diferente. A diferença não passa pelos axés, rebolations, caetanos, trios, etc. A diferença é sua história. A diferença são os mestiços, religiões, culturas que aqui conviveram nestes séculos. Neste dia é feriado estadual. Mas vejam como é a Bahia. Esta data. A mais importante da história dava o nome ao aeroporto. Um filho de político morre e mudam a denominação deste aeroporto. Faz quatro anos que esta violência histórica foi cometida. Esqueçamos. Vamos ao “2 de julho”

A comemoração do dia 2 de Julho é uma celebração às tropas do Exército e da Marinha Brasileira que, através de muitas lutas, conseguiram a separação definitiva do Brasil do domínio de Portugal, em 1823. Neste dia as tropas brasileiras entraram na cidade de Salvador, que era ocupada pelo exército português, tomando a cidade de volta e consolidando a vitória. Esta é uma data máxima para a Bahia e uma das mais importantes para a nação, já que, mesmo com a declaração de independente, em 1822, o Brasil ainda precisava se livrar das tropas portuguesas que persistiam em continuar em algumas províncias. Então, pela sua importância, principalmente para os baianos, todos os anos a Bahia celebra o 2 de Julho. Tropas militares relembram a entrada do Exército na cidade e uma série de homenagens são feitas aos combatentes. Entre todas as comemorações, a do ano de 1849 teve um convidado muito especial. O marechal Pedro Labatut, que liderou a tropas brasileiras nas primeiras ofensivas ao Exército Português, participou do desfile, já bastante debilitado e sem recursos financeiros, mas com a felicidade de homenagear as tropas das quais fez parte.

Para chegar a este dia, muita luta foi travada...

O Brasil do início do século XVIII ainda era dominado por Portugal, enquanto o Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais e a Bahia continuavam lutando pela independência. As províncias não suportavam mais a situação e, percebendo os privilégios que o Rio de Janeiro estava recebendo por ser a capital, Pernambuco e Bahia resolveram se rebelar. Recife deu início a uma revolução anti-colonial em 6 de março de 1817. Esta revolução tinha uma ligação com a Bahia, já que havia grupos conspiradores compostos por militares, proprietários de engenhos, trabalhadores liberais e comerciantes. Ao saber desta movimentação, o então governador da Bahia, D. Marcos de Noronha e Brito advertiu alguns deles pessoalmente. O governo estava em cima dos conspiradores e, devido à violenta série de assassinatos, muito baianos resolveram desistir. Com toda esta repressão, a revolução de Recife acabou sendo derrotada. Os presos pernambucanos foram trazidos para a Bahia, sendo muitos fuzilados no Campo da Pólvora ou presos na prisão de Aljube, onde grande personagens baianos também estavam presos.

Movimentação pela independência

Diante das insatisfações, começaram as guerras pela independência. Os oficiais militares e civis baianos passaram a restringir a Junta Provisória do Governo da Bahia, que ditava as ordens na época, e com esta atitude foi formado um grupo conspirativo que realizou a manifestação de 3 de Novembro de 1821.Esta manifestação exigia o fim da Junta Provisória, mas foi impedida pela "Legião Constitucional Lusitana", ordenada pelo coronel Francisco de Paula e Oliveira. Os dias se passaram e os conflitos continuavam intensos. Muitos brasileiros morreram em combate.

Força portuguesa

No dia 31 de Janeiro de 1822 a Junta Provisória foi modificada. E depois de alguns dias, chegou de Portugal um decreto que nomeava o brigadeiro português, Ignácio Luiz Madeira de Mello, o novo governador de Armas. Os oficias brasileiros não aceitavam esta imposição, pois este decreto teria que passar primeiro pela Câmara Municipal. Houve, então, forte resistência que envolveu muitos civis e militares. Madeira de Mello não perdeu tempo e colocou as tropas portuguesas em prontidão, declarando que iria tomar posse. No dia 19 de fevereiro, os portugueses começaram a invadir quartéis, o forte São Pedro, inclusive o convento da Lapa, onde haviam alguns soldados brasileiros. Neste episódio, a abadessa Sónor Joana Angélica tentou impedir a entrada das tropas, mas acabou sendo morta.Concluída a ocupação militar portuguesa em Salvador, Madeira de Mello fortaleceu as ligações entre a Bahia e Portugal. Assim a cidade recebeu novas tropas portuguesas e muitas famílias baianas fugiram para as cidades do recôncavo.

Contra-ataque brasileiro

No recôncavo, houve outras lutas para a independência das cidades e o fortalecimento do exército brasileiro. O coronel Joaquim Pires de Carvalho reuniu todo seu armamento e tropas e entregou o comando ao general Pedro Labatut. Este, assim que assumiu, intimidou Madeira de Mello.

Labatut organizou todo seu exército em duas brigadas e iniciou uma série de providências. Aos poucos o exército brasileiro veio conquistando novos territórios até chegar próximo a cidade de Salvador.Madeira de Mello recebeu novas tropas de Portugal e pretendia fechar o cerco pela ilha de Itaparica e Barra do Paraguaçu. Esta atitude preocupava os brasileiros, mas os movimentos de defesa do território cresciam. E foi na defesa da Barra do Paraguaçu que Maria Quitéria de Jesus Medeiros se destacou, uma corajosa mulher que vestiu as fardas de soldado do batalhão de "Voluntários do Príncipe" e lutou em defesa do Brasil.Em maio de 1823, Labatut, em uma demostração de autoridade, ordenou prisões de oficiais brasileiros, mesmo sendo avisado do erro que estava cometendo, e acabou sendo cassado do comando e preso. O coronel José Joaquim de Lima e Silva assumiu o comando geral do Exército e no dia 3 de Junho ordenou uma grande ofensiva contra os portugueses. Com a força da Marinha Brasileira, o coronel apertou o cerco contra a cidade de Salvador, que estava sob domínio português, restringindo o abastecimento de materiais de primeira necessidade. Diante destes fortes ataques e das necessidades que estavam passando, Madeira de Mello enviou apelos e acabou se rendendo. Com a vitória, o Exército Brasileiro entrou em Salvador consolidando a retomada da cidade e fim da ocupação portuguesa no Brasil.

Figuras Importantes nesta data

-Caboclo e Cabocla: Estas figuras simbólicas foram criadas para homenagear os batalhões e os heróis de 1823 que, pela bravura e coragem, lutaram pela liberdade do Brasil. A história conta que o povo resolveu fazer sua própria comemoração e, em 1826, levou uma escultura de um índio para representar as tropas, já que não poderia ser um homem branco, porque lembrava os portugueses, nem os negros que, na época, não eram valorizados. Vinte anos depois, a Cabocla foi incluída nas comemorações.

-Maria Quitéria:A maior heroína nas lutas pela independência do Brasil, na Bahia. Maria, ao ficar sabendo das movimentações sobre as lutas da independência, conseguiu uma farda do exército e se alistou para combater as tropas portuguesas. Participou de diversas batalhas e foi consagrada solenemente na chegada do exército à Salvador.

-Joana Angélica:Abadessa no convento da Lapa, Joana tentou proteger os soldados brasileiros contra a invasão do convento, mas acabou sendo morta.

-Brigadeiro Ignácio Luiz Madeira de Mello:Vindo de Portugal, assumiu o governo das Armas por imposição portuguesa. Tomou posse utilizando a força bruta e dominando a cidade de Salvador. Fortaleceu a relação entre Portugal e Bahia. Lutou contra o exército brasileiro.

-General Pedro Labatut:Foi quem assumiu o exército brasileiro das mãos do coronel Joaquim Pires de Carvalho e começou a enfrentar o exército português. Um homem duro, Labatut conseguiu reestruturar as tropas e reerguer a vontade pela liberdade do Brasil.

-Coronel José Joaquim de Lima e Silva:Assumiu o comando geral do exército brasileiro depois da prisão do general Pedro Labatut. Fez uma intensa ofensiva às tropas portuguesas. “Conseguiu derrubar Madeira de Mello e assumir de volta a cidade de Salvador, vencendo a guerra.”

A comemoração aqui em Salvador para vocês saberem como é esta festa. Vejam a tradicional programação cultural. Sua importância para a sociedade baiana.

-1º Dia) "Te Deum". Na Catedral Basílica é celebrado pelo Arcebispo de São Salvador e Primaz do Brasil. Chegada do Fogo Simbólico procedente das Cidades de Cachoeira, Saubara, Santo Amaro da Purificação, São Francisco do Conde, Candeias, Simões Filho, passando por Valéria chegando ao Bairro de Pirajá, conduzido pelos soldados do Exercito e atletas baianos. Acendimento da Pira. Hasteamento das Bandeiras. Encerramento das solenidades no Bairro de Pirajá.

-2º Dia) Alvorada de fogos no Largo da Lapinha. Organização do Desfile. Hasteamento das Bandeiras por autoridades. Colocação de flores: pelas autoridades em frente ao Monumento ao General Labatut. Entrega dos Carros dos Caboclos para o desfile: discurso da Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Recebimento dos Carros dos Caboclos para o desfile. : Discurso do Prefeito de Salvador. Execução do Hino ao 2 DE JULHO: pela Banda da Marinha.

INÍCIO DO DESFILE. Homenagem aos Heróis da Independência: breve parada em frente ao Convento da Soledade. Pronunciamento de um membro da Ordem Terceira do Carmo. Breve parada em frente à Ordem Terceira do Carmo e depois na Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Recolhimento dos Carros Simbólicos nos Caramanchões da Praça Thomé de Souza.

-3º Dia) Organização do Desfile. Homenagem da Câmara Municipal aos Heróis do 2 de Julho. INÍCIO DO DESFILE. Chegada dos Caboclos ao Campo Grande. Hasteamento das Bandeiras e Execução do Hino Nacional pelas Bandas da Marinha, Exército, Aeronáutica, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Colocação de Coroas de Flores no Monumento ao 2 de Julho pelas autoridades presentes. Execução do Hino ao 2 de Julho pela Banda da Polícia Militar. Acendimento da Pira.Execução do Hino Nacional .

-4º Dia) "A Volta dos Caboclos". Retorno dos Caboclos para o Pavilhão da Lapinha; com o acompanhamento da população e participação da Orquestra do Maestro Reginaldo de Xangô.

-5º Dia) Missa solene, seguida das festividades tradicionais do bairro da Lapinha em homenagem ao General Labatut. Encerramento das comemorações.
 
Fonte: A Jurubeba Cultural

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